Falar sobre inteligência emocional não significa aprender a controlar tudo o que sentimos. Significa entender melhor o que acontece dentro de nós para escolher como agir, em vez de apenas reagir.
Você já percebeu que, às vezes, sabe exatamente o que deveria fazer, mas, na hora em que uma emoção aparece, acaba reagindo de um jeito diferente? E, depois que tudo passa, podemos pensar: “Por que eu reagi daquela forma?” É justamente nesse espaço entre sentir e reagir que podemos falar sobre inteligência emocional.
O autoconhecimento é a maior parte desse processo. Antes de mudar uma reação, melhorar um relacionamento ou desenvolver mais autocontrole, é preciso perceber o que está acontecendo internamente. Então vai bem alem de aprender a controlar as emoções, desenvolver inteligência emocional envolve aprender a se conhecer.
O que é inteligência emocional?
A inteligência emocional, também conhecida com QE (quociente emocional) está relacionada à capacidade de perceber, compreender e lidar melhor com as próprias emoções, além de conseguir reconhecer e considerar as emoções das outras pessoas.
A inteligência emocional não significa ser uma pessoa que nunca perde a paciência, nunca fica triste ou consegue manter a calma o tempo todo. Na verdade, ninguém consegue — e nem precisa — deixar de sentir. Uma pessoa pode sentir raiva e ainda assim tentar entender de onde ela veio. Pode sentir medo e perceber que esse medo está influenciando suas escolhas. Pode ficar magoada sem necessariamente reagir imediatamente.
Ter inteligência emocional não é sentir menos. É conseguir compreender melhor aquilo que se sente.
Antes de controlar uma emoção, é preciso reconhecê-la
Imagine alguém que passa o dia irritado e não consegue perceber que está sobrecarregado. Ou alguém que se sente constantemente inseguro nos relacionamentos, mas interpreta tudo como falta de consideração do outro.
Como controlar algo que ainda não conseguimos compreender?
Por isso, se conhecer é uma das partes mais importantes do desenvolvimento da inteligência emocional. E alem disso, saber o que são os sentimentos, o que significa sentir raiva, tristeza, alegria, vergonha, entre outros. Falamos sobre emoções, mas muitas vezes não entendemos o que cada uma nos faz sentir, aprender a nomear elas é um primeiro passo para o autoconhecimento e desenvolvimento da inteligencia emocional.
Conhecer suas emoções, seus limites, suas necessidades, seus medos e também aquilo que costuma despertar determinadas reações pode mudar a maneira como você se relaciona consigo mesmo e com as outras pessoas.
Às vezes, a questão não é apenas:
“Por que estou tão irritado?”
Mas também:
“O que essa situação despertou em mim?”
Essa segunda pergunta pode abrir espaço para uma compreensão muito mais profunda.
Às vezes, a pessoa diz que está apenas “estressada”, mas, ao olhar com mais atenção, percebe que também está frustrada, insegura, cansada ou com medo de decepcionar alguém.
Como a inteligência emocional se apresenta no dia-a-dia?
A inteligência emocional pode estar presente em atitudes simples:
- Perceber que você está irritado antes de iniciar uma discussão.
- Dizer que precisa de um tempo para organizar os pensamentos.
- Expressar uma necessidade sem atacar a outra pessoa.
- Reconhecer quando cometeu um erro e pedir desculpas.
- Entender que nem toda crítica representa rejeição.
- Identificar quando está ultrapassando os próprios limites.
- Conseguir dizer “não” sem sentir que precisa se justificar o tempo todo.
- Escutar alguém sem preparar imediatamente uma resposta.
Não espere que essas atitudes não surjam de um dia para o outro. Elas são construídas à medida que você passa a observar melhor seus pensamentos, emoções, reações e padrões de comportamento. Quando você passa a se perguntar o que você gosta no seu dia, o que faz por obrigação, pessoas que te fazem sentir mais leve, as situações que te causam sentimentos negativos depois, com quem frequência tudo isso tem surgido no seu dia-a-dia.
Esses são questionamentos importantes de fazer sobre si mesmo, para construir inteligencia emocional. Pare para refletir, quando foi a ultima vez que você pensou sobre si mesmo? Além de talvez se cobrar e julgar por ter explodido ou perdido o controle.
E quando não conseguimos fazer isso sozinhos?
Em alguns momentos, perceber o que sentimos não é tão simples.
Podemos estar tão envolvidos em determinadas situações, relacionamentos ou conflitos que fica difícil enxergar o que realmente está acontecendo.
A terapia pode ser um espaço para essa investigação.
Na psicoterapia, não se trata simplesmente de aprender a “controlar” as emoções, mas de poder falar sobre elas, compreender seus significados e perceber como sua história participa da maneira como você vive o presente. A partir desse processo, novas formas de se relacionar consigo mesmo e com os outros podem começar a aparecer.
Afinal, o que é inteligencia emocional?
Conhecer-se é o começo da mudança!!
Conhecer suas emoções é reconhecer que cada reação tem uma história, um contexto e, muitas vezes, uma necessidade por trás. Quanto mais você se compreende, mais liberdade tem para escolher o que fazer com aquilo que sente.
Desenvolver inteligência emocional é, portanto, aprender a viver com mais presença: sentir sem se julgar, refletir antes de agir e construir relacionamentos mais verdadeiros.
Porque antes de aprender a lidar melhor com as emoções, existe algo ainda mais importante:
aprender a conhecer a pessoa que sente essas emoções — você. E, aos poucos, construir uma relação mais consciente consigo mesmo.