Feridas da infância: Como o passado afeta sua vida adulta?

A infantil é um chão que pisamos a vida inteira – Lya Luft.

Muitas reações, medos e padrões que você vive hoje não nasceram do nada: eles têm raízes em experiências da infância que ficaram sem acolhimento ou elaboração. Algumas experiências continuam presentes na forma como nos relacionamos, lidamos com nossas emoções, enxergamos a nós mesmos e enfrentamos situações do dia a dia.

As chamadas feridas da infância não significam necessariamente que tivemos uma infância difícil em todos os aspectos. Às vezes, acontecimentos que pareciam pequenos para os adultos tiveram um significado muito grande para a criança que éramos.

O que são as feridas da infância?

As feridas da infância são marcas emocionais que podem surgir a partir de experiências vividas durante os primeiros anos de vida. Como abandono, negligência, críticas constantes, violência, insegurança afetiva ou excesso de cobranças, experiencias que a criança não conseguiu compreender ou integrar na época.

Cada pessoa reage de uma maneira. Uma mesma situação pode ser vivenciada de formas completamente diferentes por duas crianças. Elas não precisam ser grandes traumas para doer: às vezes, são pequenos episódios repetidos (ser ignorado, comparado, humilhado, não visto) que, somados, moldam a forma como a pessoa passa a se enxergar e a se relacionar.

Como as feridas da infância aparecem na vida adulta?

Muitas vezes, as marcas da infância aparecem sem que percebamos a relação com o passado. Por exemplo, uma pessoa que cresceu ouvindo que nunca fazia nada direito pode se tornar um adulto extremamente autocrítico, que sente que precisa fazer tudo perfeitamente para ser valorizado.

Quem vivenciou muita instabilidade familiar pode sentir necessidade de controlar tudo ao seu redor para conseguir se sentir seguro. E alguém que aprendeu desde cedo que demonstrar sentimentos era sinal de fraqueza pode ter dificuldade para falar sobre o que sente.

Esses são alguns exemplos de como repetitivas situações pequenas podem afetar a vida adulta. A neurociência mostra que, quando a criança vive estresse intenso e repetido, o sistema nervoso se “ajusta” para sobreviver. Na vida adulta, esse mesmo sistema pode continuar reagindo como se o perigo original ainda existisse.

As feridas da infância também podem aparecer nos relacionamentos amorosos e familiares. Tendemos a buscar inconscientemente relações que reproduzem padrões que conhecemos desde cedo. Assim, alguns padrões e comportamentos podem se manter nas relações da vida adulta, como: dificuldade para estabelecer limites; necessidade de agradar o outro; aceitação de comportamentos que machucam; dificuldade para expressar necessidades e sentimentos.

É possível mudar os padrões originados das feridas da infância?

O passado não pode ser alterado, mas a maneira como nos relacionamos com ele pode mudar. O processo terapêutico pode ajudar a identificar padrões, compreender sentimentos, reconhecer necessidades e construir novas formas de lidar com situações que antes provocavam sofrimento. Então, sim, é possivel mudar os padrões originados das feridas da infância, mas isso não significa apagar o passado ou simplesmente “deixar para lá”. Significa poder olhar para a própria história com mais consciência e perceber que você não precisa continuar vivendo de acordo com aquilo que aprendeu quando era criança. Agora você pode fazer suas próprias escolhas.

A terapia ajuda a transformar o que antes era apenas sobrevivência em possibilidade de viver com mais leveza e escolha.

Quando procurar terapia?

É importante que você busque ajuda quando percebe que determinadas situações se repetem e causam sofrimento.

Por exemplo:

“Eu sei que deveria colocar limites, mas não consigo.”

“Tenho muito medo de ser abandonado.”

“Sempre sinto que não sou bom o suficiente.”

“Tenho dificuldade de confiar nas pessoas.”

“Parece que estou sempre tentando agradar todo mundo.”

“Eu entendo racionalmente que não preciso ter medo, mas continuo reagindo da mesma forma.”

A terapia pode ser um espaço para compreender essas questões com segurança, sem julgamentos e respeitando o seu tempo. Se você se identificou com este tema, saiba que o que você sente tem nome, tem causa e pode ser trabalhado. Cuidar das feridas da infância é um ato de coragem, e pode ser o primeiro passo para deixar de apenas sobreviver e começar a viver de um jeito mais inteiro.

Quer conversar sobre isso?

Se você sente que precisa de ajuda para trabalhar sua autoestima, estou aqui para te acompanhar nessa jornada.

Compartilhar:
Tags:
Valeria Taynna

Valéria Taynná

Psicóloga Clínica | CRP 17/5280

Especialista em autoestima, relacionamentos e saúde mental.

Precisa de ajuda?

Agende sua sessão de terapia.

Instagram

Conteúdo diário sobre saúde mental

Mais artigos

Inteligência emocional: como desenvolver e usar no dia a dia

Falar sobre inteligência emocional não significa aprender a controlar tudo o que sentimos. Significa entender

Terapia online funciona mesmo? Descubra a eficacia e como funciona

A resposta mais curta para essa pergunta é SIM. A terapia online funciona e já